A 33ª edição do programa Magistratura e Sociedade, disponibilizada nesta sexta-feira (27 de fevereiro), traz uma reflexão aprofundada sobre Ética e Deontologia da Magistratura, tema conduzido pelo juiz e professor de Filosofia da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), Gonçalo Antunes de Barros Neto, e pelo psicólogo clínico, professor e facilitador institucional Afro Stefanini II.
O convidado é referência em educação emocional, saúde mental e Justiça Restaurativa em Mato Grosso. Especialista em Psicologia Positiva e criador da Escola das Virtudes, Afro possui atuação direta no Judiciário e no sistema penal, além de experiência consolidada na formação humana de magistrados e servidores.
Durante a entrevista, Stefanini destacou que a ética, mais do que um conjunto de normas, tornou-se um elemento essencial para a preservação da própria humanidade. Ao revisitar marcos históricos como o lançamento das bombas atômicas em 1945, ele argumentou que aquele momento inaugurou uma nova era de responsabilidade moral, na qual a virtude e o senso ético são os principais freios contra decisões destrutivas.
“A bomba atômica nos deu um aviso em que nós saímos para a nossa maturidade, para a maioridade da idade da humanidade, que é quando você começa a ser responsável pelos seus atos. E quando nós recebemos esse certificado de responsabilidade pelos nossos atos, não é mais a inteligência que é capaz de nos salvar. É a ética que evita de a gente apertar um botão vermelho. É a virtude que evita que a gente aperte um botão vermelho”, afirmou.
Segundo ele, a maior ameaça ao comportamento ético não está no medo, no desejo ou na busca por poder, mas na ignorância do senso moral. Afro explicou que, embora a humanidade tenha desenvolvido vínculos sociais e estruturas complexas de convivência, a educação para o autoconhecimento e para o desenvolvimento das virtudes não acompanhou esse avanço.
Psicologia contemporânea
Ao abordar a evolução histórica da ideia de virtude – da busca pela felicidade na filosofia grega à busca pela salvação na teologia – Afro destacou que a psicologia contemporânea, especialmente a psicologia positiva, oferece hoje ferramentas científicas para aplicar virtudes de forma prática no cotidiano e nas instituições.
Ele citou estudos de Martin Seligman, que demonstram como o desenvolvimento de virtudes contribui para o bem-estar, a convivência saudável e o fortalecimento institucional. Para o convidado, essa abordagem é especialmente relevante no ambiente judicial, onde decisões impactam vidas e exigem equilíbrio emocional, responsabilidade e consciência ética.
O programa Magistratura e Sociedade busca fortalecer a formação humanística da magistratura, a reflexão crítica sobre o papel social da Justiça, a integração entre ciência, virtudes e prática jurisdicional e a promoção de uma atuação judicial mais ética, equilibrada e humanizada.
Clique neste link para assistir à íntegra da nova edição, que aborda diversos outros temas, como dilemas, senso moral, inteligência artificial etc.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Autor: Lígia Saito
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
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