As exportações brasileiras da agropecuária cresceram 9,8% até a terceira semana de agosto, sustentadas principalmente pelo avanço das vendas de soja, café e animais vivos. O resultado mostra um mercado externo ainda favorável para parte do campo, mas esconde diferenças importantes: milho, carne bovina e açúcar registraram queda nos embarques, enquanto as importações de fertilizantes recuaram 31,2%.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que as exportações da agropecuária somaram o equivalente a R$ 26,8 bilhões no período, considerando o dólar a R$ 5,15.
A soja, principal produto da pauta agrícola brasileira, registrou crescimento de 11,4% nas exportações em relação ao mesmo período de agosto do ano passado. As vendas de café não torrado aumentaram 26%, enquanto as de animais vivos avançaram 141,9%.
Produtos processados ligados ao campo também tiveram desempenho positivo. As exportações de carnes de aves e miudezas cresceram 44,1%, enquanto as vendas externas de farelo de soja e outros produtos destinados à alimentação animal avançaram 38,9%.
O desempenho, entretanto, não foi uniforme. As exportações de milho caíram 23%, enquanto as vendas externas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuaram 18,6%. Açúcares e melaços tiveram queda ainda maior, de 45,4%.
Para o produtor, esses números ajudam a mostrar onde a demanda externa está sustentando a comercialização e onde há perda de força. A redução das vendas de milho, por exemplo, ocorre justamente após uma segunda safra elevada, aumentando a importância do mercado interno e do ritmo dos embarques para a formação dos preços nos próximos meses.
Outro dado que merece atenção está do lado das compras brasileiras no exterior. As importações de adubos e fertilizantes químicos caíram 31,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
A redução acontece em plena preparação da safra 2026/27. O dado, porém, representa o valor das importações e não permite concluir, isoladamente, que houve queda da mesma intensidade no volume de fertilizantes adquirido pelo Brasil. Preços internacionais e o tipo de produto importado também interferem nessa comparação.
No conjunto da economia, a balança comercial brasileira registrou superávit equivalente a R$ 26,3 bilhões até a terceira semana de agosto. As exportações alcançaram R$ 124,3 bilhões, alta de 14,3%, enquanto as importações chegaram a R$ 98 bilhões, crescimento de 13%.
No acumulado do ano, o saldo comercial chegou ao equivalente a R$ 278,9 bilhões, 30,2% acima do registrado no mesmo período de 2025. As exportações brasileiras somaram aproximadamente R$ 1,25 trilhão e as importações, R$ 971 bilhões.
Para o agronegócio, a parcial de agosto deixa dois sinais distintos. De um lado, soja, café, animais vivos, frango e farelo continuam encontrando espaço no exterior. De outro, a retração de milho, carne bovina e açúcar mostra que o crescimento das exportações brasileiras não está sendo distribuído igualmente entre as principais cadeias do campo.
Fonte: Pensar Agro





























